Março é mês da mulher. E o iniciamos, mais uma vez, atravessadas pela dor e pela indignação.
Nesta semana, o país foi impactado por casos brutais de violência contra mulheres e meninas. No Rio de Janeiro, uma jovem foi vítima de estupro coletivo após uma emboscada. No Paraná, o inquérito confirmou que a freira Nadia Gavasnki, de 82 anos, sofreu violência sexual antes de ser assassinada. Em Mato Grosso do Sul, a denúncia de abuso contra uma adolescente de 14 anos veio à tona a partir de registros em seu diário, revelando um ciclo de violência dentro da própria família
Esses não são casos isolados. São expressões de uma violência estrutural que atravessa gerações, territórios e instituições.
Ao mesmo tempo, avança o debate sobre proteção legal. O STF anunciou que analisará um recurso sobre a proteção penal de menores em casos de violência sexual, tema que ganhou repercussão após decisões controversas, como a absolvição de um homem acusado de manter relação com uma menina de 12 anos sob o argumento de vínculo afetivo. O caso provocou forte reação social diante de tentativas de relativizar a proteção de crianças menores de 14 anos
Cada notícia carrega histórias e uma pergunta urgente: até quando?
A violência não começa no ato extremo. Ela se constrói no machismo cotidiano, na culpabilização das vítimas, na omissão institucional e na banalização da misoginia. O estupro e o feminicídio são o ponto final de uma cadeia que poderia — e deveria — ser interrompida antes.
Por isso, março não pode ser apenas simbólico. Não basta publicar mensagens ou usar uma cor. É hora de mobilização real: por políticas públicas efetivas, orçamento para a rede de proteção, acolhimento às vítimas e espaços onde a violência não seja tolerada nem relativizada.
Quando uma menina é violentada, toda a sociedade falha.
Quando uma idosa é estuprada e assassinada, a violência mostra que não respeita idade ou trajetória.
Quando uma adolescente precisa escrever em um diário para ser ouvida, revela-se o silêncio que ainda aprisiona tantas vítimas.
Não podemos nos acostumar.
Não podemos normalizar.
Não podemos assistir de longe.
Que este março seja de presença nas ruas, nos debates e nas mobilizações. A luta é por justiça, por segurança e pela vida — e precisa de todas e todos nós.